Mundo
Ghislaine Maxwell, o principal vínculo entre Bill Clinton e Epstein
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e analisados pela BBC mostram o papel fundamental de Ghislaine Maxwell, antiga companheira e cúmplice de Epstein, na relação mantida entre o criminoso sexual e o antigo presidente norte-americano Bill Clinton.
A recente divulgação de milhões de documentos ligados ao caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein expôs ligações entre o magnata norte-americano e inúmeras figuras da elite internacional. Por sua vez, a relação entre Epstein e o antigo presidente dos Estados Unidos Bill Clinton não surge como uma novidade entre os ficheiros agora tornados públicos, uma vez que esta já é conhecida há vários anos.
Divulgados nos últimos meses pelo Departamento de Justiça dos EUA, os documentos não revelam factos substancialmente novos sobre o vínculo entre os dois homens, mas evidenciam o papel central de Ghislaine Maxwell, antiga companheira e cúmplice de Epstein, na aproximação e manutenção de contacto entre os dois homens.
Segundo uma análise da BBC, não existem mensagens diretas trocadas entre Clinton e Epstein nos arquivos agora divulgados. Ainda assim, os dois são tema recorrente na correspondência entre Maxwell e Doug Band, antigo assessor principal do ex-chefe de Estado dos EUA, e que era responsável por cultivar relações institucionais e angariar apoios para iniciativas ligadas a Clinton.
Pelos constantes elogios e insinuações sexuais, percebe-se, olhando para as mensagens trocadas entre Maxwell e Band, durante o período de 2002 e 2004, que a ex-socialite britânica e o assessor mantinham uma relação próxima. Ele chamava-a de sua “casamenteira social” e “amante”, já ela elogiava as suas proezas sociais e físicas.Nos mesmos contactos em que pareciam namoriscar, falavam também de reuniões relacionadas com a organização de ajuda humanitária de Bill Clinton e organizavam viagens do antigo presidente dos EUA no jato privado de Epstein.
De acordo com registos de voos citados nos documentos, Clinton utilizou o avião do financeiro norte-americano pelo menos 24 vezes, entre fevereiro de 2002 e novembro de 2003, em deslocações à Europa, África, Ásia, Rússia, Miami e Nova Iorque. A equipa do democrata sustenta que as viagens estavam associadas a atividades da Fundação Clinton.
Uma das deslocações mais mediáticas ocorreu a 21 de setembro de 2002, quando Bill Clinton partiu numa curta viagem por vários países africanos, acompanhado por figuras públicas. Na altura, o político disse à New York Magazine que Epstein era “um financeiro de grande sucesso e um filantropo comprometido”, sublinhando o seu contributo para iniciativas de combate ao HIV/SIDA e promoção da democratização.
O histórico de viagens do 42.º presidente dos Estados Unidos a bordo dos jatos de Epstein, bem como a correspondência mantida entre as figuras do caso corroboram, até ao momento, com as afirmações de Bill Clinton de que este cortou contacto com Epstein muito antes do criminoso sexual, condenado em 2008 por crime de prostituição de menores, ser sequer indicado pela justiça norte-americana, em 2006.Hillary Clinton, à altura a ocupar o cargo de senadora por Nova Iorque, não acompanhou o marido em nenhuma das suas viagens com o magnata norte-americano.
Também num depoimento prestado ao Departamento de Justiça em 2025, Maxwell afirmou ter sido o elo determinante entre os dois homens. Em declarações ao procurador-geral adjunto Todd Blanche, disse que, embora Epstein tivesse visitado a Casa Branca no início da década de 1990, como centenas de outros convidados, não teria estabelecido contacto com Clinton sem a sua intervenção.
“Eles encontraram-se por minha causa”, afirmou.
Esta sexta-feira, Bill Clinton vai testemunhar perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, numa audição dedicada ao caso Epstein. A sessão decorre um dia depois de Hillary Clinton ter sido ouvida pelo mesmo órgão de soberania dos EUA, onde voltou a reafirmar não ter qualquer lembrança de alguma vez se ter cruzado com Jeffrey Epstein.
Apesar de circularem há vários anos imagens do presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001 ao lado de Jeffrey Epstein e da sua companheira, Ghislaine Maxwell - incluindo uma fotografia de Clinton a nadar com Maxwell, outra em que surge reclinado numa banheira de hidromassagem ao lado de uma pessoa cujo rosto foi ocultado, e ainda a imagem de uma jovem sentada a seu lado, apoiada no seu braço - o antigo presidente não foi, até ao momento, acusado de má conduta por nenhuma das vítimas de Epstein que se manifestaram publicamente.
Os ficheiros do Departamento de Justiça dos EUA, que deverão assumir um papel central na Comissão de Supervisão desta sexta-feira, não implicam o ex-presidente em qualquer irregularidade, nem comprovam que este tivesse conhecimento dos seus crimes.
Divulgados nos últimos meses pelo Departamento de Justiça dos EUA, os documentos não revelam factos substancialmente novos sobre o vínculo entre os dois homens, mas evidenciam o papel central de Ghislaine Maxwell, antiga companheira e cúmplice de Epstein, na aproximação e manutenção de contacto entre os dois homens.
Segundo uma análise da BBC, não existem mensagens diretas trocadas entre Clinton e Epstein nos arquivos agora divulgados. Ainda assim, os dois são tema recorrente na correspondência entre Maxwell e Doug Band, antigo assessor principal do ex-chefe de Estado dos EUA, e que era responsável por cultivar relações institucionais e angariar apoios para iniciativas ligadas a Clinton.
Pelos constantes elogios e insinuações sexuais, percebe-se, olhando para as mensagens trocadas entre Maxwell e Band, durante o período de 2002 e 2004, que a ex-socialite britânica e o assessor mantinham uma relação próxima. Ele chamava-a de sua “casamenteira social” e “amante”, já ela elogiava as suas proezas sociais e físicas.Nos mesmos contactos em que pareciam namoriscar, falavam também de reuniões relacionadas com a organização de ajuda humanitária de Bill Clinton e organizavam viagens do antigo presidente dos EUA no jato privado de Epstein.
De acordo com registos de voos citados nos documentos, Clinton utilizou o avião do financeiro norte-americano pelo menos 24 vezes, entre fevereiro de 2002 e novembro de 2003, em deslocações à Europa, África, Ásia, Rússia, Miami e Nova Iorque. A equipa do democrata sustenta que as viagens estavam associadas a atividades da Fundação Clinton.
Uma das deslocações mais mediáticas ocorreu a 21 de setembro de 2002, quando Bill Clinton partiu numa curta viagem por vários países africanos, acompanhado por figuras públicas. Na altura, o político disse à New York Magazine que Epstein era “um financeiro de grande sucesso e um filantropo comprometido”, sublinhando o seu contributo para iniciativas de combate ao HIV/SIDA e promoção da democratização.
O histórico de viagens do 42.º presidente dos Estados Unidos a bordo dos jatos de Epstein, bem como a correspondência mantida entre as figuras do caso corroboram, até ao momento, com as afirmações de Bill Clinton de que este cortou contacto com Epstein muito antes do criminoso sexual, condenado em 2008 por crime de prostituição de menores, ser sequer indicado pela justiça norte-americana, em 2006.Hillary Clinton, à altura a ocupar o cargo de senadora por Nova Iorque, não acompanhou o marido em nenhuma das suas viagens com o magnata norte-americano.
Também num depoimento prestado ao Departamento de Justiça em 2025, Maxwell afirmou ter sido o elo determinante entre os dois homens. Em declarações ao procurador-geral adjunto Todd Blanche, disse que, embora Epstein tivesse visitado a Casa Branca no início da década de 1990, como centenas de outros convidados, não teria estabelecido contacto com Clinton sem a sua intervenção.
“Eles encontraram-se por minha causa”, afirmou.
Esta sexta-feira, Bill Clinton vai testemunhar perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, numa audição dedicada ao caso Epstein. A sessão decorre um dia depois de Hillary Clinton ter sido ouvida pelo mesmo órgão de soberania dos EUA, onde voltou a reafirmar não ter qualquer lembrança de alguma vez se ter cruzado com Jeffrey Epstein.
Apesar de circularem há vários anos imagens do presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001 ao lado de Jeffrey Epstein e da sua companheira, Ghislaine Maxwell - incluindo uma fotografia de Clinton a nadar com Maxwell, outra em que surge reclinado numa banheira de hidromassagem ao lado de uma pessoa cujo rosto foi ocultado, e ainda a imagem de uma jovem sentada a seu lado, apoiada no seu braço - o antigo presidente não foi, até ao momento, acusado de má conduta por nenhuma das vítimas de Epstein que se manifestaram publicamente.
Os ficheiros do Departamento de Justiça dos EUA, que deverão assumir um papel central na Comissão de Supervisão desta sexta-feira, não implicam o ex-presidente em qualquer irregularidade, nem comprovam que este tivesse conhecimento dos seus crimes.